O Sacrifício
Rudnei Marques
Sacrifício significa oferta solene à Divindade; imolação de vítima em holocausto;
privação de coisa apreciada; abnegação.
O sacrifício remonta aos primórdios da humanidade. Eram ofertas a Deus que se faziam
antes do tempo de Moisés e a doação da lei, Gn. 4.3, 4; 8.20; 22-01. Os sacrifícios
eram públicos (oferecidos pela nação) e privativos (oferecidos pelo indivíduo). Todos
eles evoluíam a imolação de animais, Hb. 9-22. As primícias do campo trazidas em
oferta a Deus, foram aceitas somente em virtude do sangue do altar, Lu. 2.2; 11;
14-16;5.11;12.
Havia dois tipos de sacrifício:
1) O holocausto - ou a oferta inteiramente queimada, ato de consagração completa do
próprio ofertante;
2) A oferta da expiação do pecado, descrita em Lv. 6.24, a expiação da culpa (Lv.
7.1-10), não se fazia expiação pelos pecados temerários e crimes capitais, (Nm.
15,30,31), mas somente pelos (1) pecados involuntários; (2) crimes não capitais, tais
como o furto, pelos quais já se sofrera o castigo; (3) pecados confessados pelo culpado,
que incluíam ofertas de ação de graças, (Lv. 7.12), e as votivas e voluntárias -
vs.16.
Os sacrifícios abrangiam as espécies:
1ª) A apresentação do sacrifício pelo ofertante;
2ª) A imposição das mãos na cabeça da vítima pelo ofertante conforme Lu.
16.21;
3ª) A imolação do animal;
4ª) O derramamento, ou espargimento do sangue (para casos especiais - Lv. 4.6;
6.30;16.14);
5ª) Ou alma do sacrifício inteiro, ou da sua gordura sobre o altar.
Sacrifício no sentido popular de hoje, é tudo aquilo que fazemos além das nossas
forças, ou contra a nossa vontade. Pode significar também renúncia das nossas vontades
e predileções, ou ainda aflição do nosso ego. Existem sacrifícios voluntários, ou
seja, da nossa vontade, existem sacrifícios involuntários, isto é, contra a nossa
vontade. Os sacrifícios voluntários são àqueles que não precisamos fazer, mas, de uma
forma espontânea, fazemos. Os involuntários são àqueles que não queremos, sob
hipótese alguma, fazê-lo, mas a situação, as circunstâncias, o momento nos obriga
fazer. Na realidade, também o sacrifício mexe com o nosso ego.
Deus permite algumas vezes seus filhos passarem por momentos de sacrifícios para matar
seu ego, o seu eu. Na verdade, a questão do sacrifício é até um tanto complexa para
alguns cristãos, no momento em que devem se sacrificar para Deus, por amor a ele, não se
sacrificam e, no momento em que não precisam se sacrificarem, se sacrificam, pensando que
assim estarão agradando melhor a Deus, porém se esquecem que o sacrifício para Deus é
um coração quebrantado, Sl. 51.17.
Todo esforço que fizermos para Deus ainda é pouco diante do que ele tem feito por nós,
mas do que adianta muitos esforços e sacrifícios se os corações não são sinceros
para com ele e quebrantado para ele? O maior e mais perfeito sacrifício foi realizado por
Jesus na cruz do calvário.
Não mais precisamos nos sacrificar para obtermos a salvação e a cura de nossas
enfermidades. No que tange a salvação, é só crer em Cristo para ser salvo, (At. 16.31;
Ef. 2.8, 9; Rm. 10.09). E no que se refere à cura das enfermidades é tão somente crer
no poder de Deus e ordenar a cura. Então, ficou claro que o único sacrifício exigido no
caso é a fé, e se creres verás a glória de Deus (S. Jo. 11.40).
Os sacrifícios do antigo testamento, conforme retratamos acima, não eram perfeitos e
suficientes em si para a remissão dos pecados, daí, a necessidade deles terem que ser
repetidos todos os dias. Eles eram a sombra do sacrifício de Cristo. O sacrifício de
Cristo deu a todos eles o real significado, portanto, Cristo fez o cumprimento do
sacrifício. Ele é o sacrifício perfeito.
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