Disputa pela Terra Santa
Reinhard Krause/Reuters
Os sangrentos conflitos no
Oriente Médio têm sua origem na disputa por territórios. Os palestinos reclamam terras
ocupadas por Israel desde a divisão da Palestina, no final da década de 40. O objetivo
é a formação de um estado independente e a disputa, ainda mais acirrada em função da
religiosidade na região, tem como questão central Jerusalém. Os palestinos exigem a
parte leste da cidade para capital de seu futuro Estado, entretanto os israelenses
consideram a cidade sua capital santa e indivisível.
Jerusalém é cidade sagrada para os povos judeus, muçulmanos e cristãos, com mais de 3
mil anos. Durante 19 anos, entre 1948 e 1967, Jerusalém esteve dividida entre Israel e o
reino da Jordânia. Mas então era uma divisão de fato, como resultado da primeira guerra
israelense-árabe, pois a linha de cessar-fogo separava os setores ocidental (judeu) e
oriental (árabe).
Proclamada capital do estado de Israel em 1948, Jerusalém oeste nunca foi reconhecida
como tal pela comunidade internacional, que tampouco reconheceu a anexação unilateral da
parte oriental da Cidade Santa após a guerra dos Seis Dias em junho de 1967.
Desde então, Israel transformou o caráter da cidade.
Atualmente são 600 mil habitantes, dos quais mais de um terço vivem nos novos bairros
judeus do leste. Duzentos mil palestinos vivem na parte oriental da cidade. Têm um visto
de residência permanente mas não a cidadania israelense. Queixam-se da diferença
considerável do ponto de vista do gasto público entre os bairros árabes, onde a
infra-estrutura é sumária, e os bairros judeus. A Cidade Santa é o coração do setor
oriental. De fato é a Jerusalém histórica, anterior à construção do primeiro bairro,
em 1860, fora das muralhas.
No perímetro de Jerusalém se encontram os lugares mais sagrados do cristianismo (Santo
Sepulcro) e do judaísmo (Muro das Lamentações), assim como o terceiro lugar santo do
Islã (a esplanada das mesquitas, com a mesquita Al Aqsa).

Yassar Arafat, o líder da Autoridade
Palestina (AP) luta, há 40 anos, pela criação do estado independente, cuja capital
seria a parte leste de Jerusalém. Arafat alega que não pode fazer concessões sobre a
cidade a Israel. Israel afirma que Arafat pode acabar com os protestos se quiser, mas não
o faz para obter ganhos políticos. Arafat nasceu no Cairo, em 1929. Fez fortuna no Kuwait
como comerciante. Participou em 1959 da formação do Fatah, principal elemento da
Organização pela Libertação da Palestina (OLP). Em seguida se tornou o líder absoluto
da causa palestina.
Ehud Barak, primeiro-ministro israelense, se
elegeu em 1998 com a promessa de acelerar o processo de paz com os árabes. Retirou as
tropas do sul do Líbano em maio. Desde julho não tem mais a maioria no parlamento porque
os partidos abandonaram sua coalizão: a direita alega que Barak fez concessões demais
aos palestinos, a esquerda que o primeiro-ministro cede facilmente ante as exigências dos
mais conservadores. Esse fator é o principal problema de Barak nas negociações com
palestinos ou países vizinhos. O primeiro- ministro israelense nasceu em um kibutz na
Palestina em 1942. Aos 17 anos ingressou no exército, onde desenvolveu, para muitos, uma
invejável carreira nas campanhas militares dos anos 60 e chegou a comandante aos 30 anos.
Ingressou na política auxiliado pelo primeiro-ministro Yithzak Rabin, que morreu
assassinado em 1995.
Paz anunciada, paz destruída
Reunião entre Arafat e Peres cria novas
possibilidades de paz no Oriente Médio
Após semanas de conflitos, 154 mortos e centenas de feridos, israelenses e palestinos
tentam mais um acordo para chegar à paz. O prêmio Nobel da Paz e ex-primero-ministro de
Israel, Shimon Peres, e o também prêmio Nobel da Paz e líder da Autoridade Palestina,
Yasser Arafat, se reuniram em primeiro de novembro para discutir o retorno às
negociações de paz. Fontes ligadas ao primeiro-ministro de Israel, Ehud Barak,
anunciaram que os dois lados haviam chegado a um acordo. Quase imediatamente, tanques
israelenses começaram a se retirar da proximidade de algumas cidades palestinas na
Cisjordânia.
Mesmo com o acordo fechado, cinco palestinos ficaram feridos, e um jovem muçulmano de 17
anos foi morto perto de Jerusalém Leste, botando risco na retomada do processo de paz.
Com o aumento das hostilidades evidenciados nos últimos dias, Yasser Arafat perdeu um
pouco de seu prestígio perante a comunidade que representa, e as guerrilhas palestinas
ganharam mais importância por assumirem posições adversas a respeito da relação com
Israel, repudiando qualquer negociação de paz com o Estado judeu.
Esse fato evidenciou-se ainda mais quando um poderoso carro-bomba explodiu na tarde do
último dia 2 de novembro nas proximidades de um movimentado mercado ao ar livre de
Jerusalém, matando dois israelenses. O atentado, assumido por militantes islâmicos,
ocorreu no momento em que os líderes israelense e palestino adiavam mais uma vez o
anúncio de trégua, que poderia pôr fim a cinco semanas de confrontos. Tumultuadas
áreas palestinas voltaram a se inflamar, com dois palestinos sendo mortos e, segundo
médicos e equipes de resgate, pelo menos 80 ficando feridos na Cisjordânia.
As últimas violências puseram em risco, mas não destruíram imediatamente, a mais
recente de uma série de propostas de cessar-fogo. O primeiro-ministro israelense, Ehud
Barak, e o líder palestino Yasser Arafat planejavam inicialmente declarar simultaneamente
uma trégua, entretanto, os anúncios foram postergados, mas com a expectativa de que
seriam feitos algumas horas depois.
Centenas de pessoas lotaram as ruas e a polícia teve trabalho para contê-las. Alguns
jovens israelenses gritavam, Morte aos Árabes e Queremos
vingança. Um grupo que se autoproclamou a ala militar da Jihad Islâmica assumiu
responsabilidade pelo atentado num comunicado enviado por fax aos escritórios da
Associated Press em Damasco, Síria. No comunicado, o grupo afirma que promoveu o ataque
em resposta aos crimes do inimigo contra nosso povo palestino, e prometeu
cometer novos atentados. Israel havia afirmado anteriormente que acreditava que militantes
palestinos, da Jihad Islâmica ou do Hamas, eram os responsáveis pelo ataque. Os dois
grupos vinham ameaçando atentados.
Até a noite de 2 de novembro, nenhum lado havia anunciado formalmente o cessar-fogo e
não havia notícia de quando isso ocorreria, ou mesmo se virá a ocorrer. Todas as
orações devem ser voltadas para a região do conflito, pois sabemos que a paz só
voltará a reinar pela obra de Jesus Cristo e não por mãos de homens que têm insistido
em brincar de Deus.
Entenda como começou o conflito atual
O líder de direita Ariel Sharon visita a Esplanada das Mesquitas (lugar considerado
sagrado para os judeus) e defende a soberania de Israel sobre Jerusalém. O ato provocou a
fúria dos palestinos.
As pedras rolaram
Palestinos jogam pedras em soldados israelenses em Hebron, na Cisjordânia. A revolta
palestina ganhou o nome de Nova Intifada (revolta das pedras), em referência a uma grande
onda de protestos palestinos nos anos 80.
Show de horror na TV
Mohamed Rami Aldura, de 12 anos, tenta esconder-se de disparos feitos por soldados
israelenses, enquanto seu pai, desesperado, pede para que os tiros sejam suspensos. O
apelo, em vão, é filmado e assistido por milhões de expectadores em todo o mundo. A
morte do menino é mais um estopim da imensa bomba que se transformou Israel.
Mais pedras rolando
Israelenses fogem de pedras jogadas por palestinos contra o Muro das Lamentações.
Palestinos tentam destruir a Tumba de José, em Nablus, considerada lugar santo pelo
Governo de Israel.
Saem pedras entram tiros
Canhões israelenses apontam em direção ao território libanês um dia depois de Israel
ter bombardeado o Sul do Líbano em represália à captura de três soldados pelo grupo
guerrilheiro Hezbollah. No Dia das Crianças, dois israelenses foram linchados em
Ramallah, entre eles um adolescente de 17 anos, e em resposta, Israel bombardeou a cidade.
Gaza também foi alvo de ataques com helicópteros.
|