Os métodos, o caráter e as
habilidades do Apóstolo Paulo
Augusto Bello de Souza Filho
Paulo foi um missionário sábio e dedicado, escolhido por Deus para um ministério
específico (Atos 9:15). A sua vida tem sido exemplo para a igreja no cumprimento da
grande comissão ainda hoje. Ele é visto por muitos como o maior missionário de todos os
tempos. Usava sempre áreas que poderiam ser alcançadas a partir de centros
estratégicos. Fazia discípulos e os encaminhava para novas frentes missionárias em
regiões e cidades distantes, como se verificou em Colossos quando enviou Epafras, que
fundou a igreja naquele local.
Ao fundar uma Igreja, o apóstolo Paulo a organizava com presbíteros e diáconos, com a
finalidade de dar prosseguimento à obra após a sua partida. Ele procurava sempre se
colocar sobre fundamentos sólidos. Quando se deslocava para um determinado lugar para
pregar, somente o fazia com plena convicção de que era a vontade de Deus. Muitas vezes
deixou de se dirigir a determinadas localidades para evitar construir sobre fundamento
alheio, uma vez que Jesus já havia sido anunciado por outros pregadores (Rom. 15:20).
Paulo era muito consciente. Sua dependência do Espírito Santo se evidenciou claramente
tanto nos textos de Atos como em suas próprias Epístolas (Atos 13:2-4; 16:6-7). Ele
sempre voltava às igrejas que havia organizado para encorajá-las e fortalecê-las (Atos
15:36). Ensinava que a igreja devia estar constantemente propagando o Evangelho.
Os métodos utilizados pelo Apóstolo Paulo faziam com que alcançasse êxito em seu
ministério. Paulo usava sabiamente diversos artifícios para ganhar vidas para Cristo (I
Cor. 9:19-23). Usava os grandes centros, preparava líderes, pesquisava a situação de
cada local, se identificava com as pessoas, pregava de casa em casa, se auto-sustentava e
era flexível no trato com os problemas (Atos 20:17-21; 33-34).
Um fato muito marcante no caráter de Paulo era que, ao conhecer determinada cultura, ele
se utilizava astutamente dela para falar as pessoas que ele evangelizava, como foi no caso
do Aerópago de Atenas. Paulo sabia que os atenienses eram supersticiosos e destacou esta
particularidade, para dar a introdução de sua mensagem, se utilizando inclusive do
próprio título de um santuário grego "...ao Deus desconhecido" (Atos
17:22-23). Muitas vezes se utilizou do argumento de ser Cidadão Romano para se defender
diante de seus perseguidores (Atos 22:25-29).
Ao ser preso em Jerusalém sob a acusação de profanar o Templo, Paulo, passando pelo
tribuno perguntou-lhe se era permitido dizer-lhe alguma coisa, o que causou espanto no
tribuno, que não esperava que ele soubesse grego. Paulo conhecia profundamente o grego.
Logo em seguida, ele pediu para falar ao povo e falou em hebraico (Atos 21:37-40).
Utilizava-se de uma retórica muito bem embasada nos conhecimentos do Antigo Testamento,
como profundo conhecedor da Lei que era (Atos 17:2, 17-19; 19:8-10; 23:6).
Paulo não se contentava tão somente em pregar, mas também lutava pela pureza da
doutrina cristã que ele chamou de sã doutrina.
Ele orientava, exortava e doutrinava as igrejas à luz dos ensinos de Jesus, a viverem
vida de santidade (Atos 14:22-23; 20:31-36; II Cor. 11:2). Paulo enfrentou também o
gnosticismo incipiente que permeava as igrejas. Em Colossos ele enfrentou a tendência
racionalista, que levava a igreja à heresia. Estava continuamente se comunicando as
igrejas através de correspondências, com o propósito de corrigir as suas falhas e
imperfeições.
Teologicamente, Paulo interpretou de maneira singular o significado da vida, morte e
ressurreição de Cristo. Ele pregou uma fé livre da introdução do legalismo e do
racionalismo. O autor Roland Allen, em seu livro "Métodos
Missionários: os de Paulo ou os Nossos?", resumiu muito bem a obra
de Paulo: "Em pouco menos de dez anos, Paulo estabeleceu a igreja em quatro
províncias do Império: Galácia, Macedônia, Acaia e Ásia. Antes de 47 d.C, não havia
igrejas nessas províncias. Em 57 d.C., Paulo já se reportava à sua obra nestes locais
como se já estivesse totalmente concluída. É
importante notar que estas igrejas foram fundadas com rapidez e segurança, mesmo diante
das dificuldades, incertezas e fracassos do primeiro século (II Cor. 11:24-28). Muitos
missionários realizaram obras fantásticas para o reino de Deus. Contudo, o apóstolo
Paulo foi o único que, além de estabelecer igrejas em suas diversas viagens
missionárias, tinha também o cuidado de visitá-las para ver como estavam. Ele também
se comunicava com estas igrejas e com os seus filhos na fé, como Tito, Timóteo e
Filemon, exortando-os a zelar pela sã doutrina do Evangelho de Cristo (Gál. 4:19).
|