Editorial
Evangélicos, os discriminados
Faz tempo que, no Brasil, os evangélicos sequer dispunham de um pequeno pedaço de chão
para construir seus templos, ou onde sepultar os seus mortos. Os problemas no
relacionamento das comunidades não-católicas com o Estado iam do berço ao sepulcro,
passando pelo matrimônio. Isso porque o registro do nascimento dependia da pia batismal
da Igreja Católica; o ofício do casamento era igualmente sua atribuição, os
cemitérios existiam como anexo do templo, e sob encargo paroquial.
Nesse quadro, em que a intolerância para com judeus e protestantes não raro se extremava
barbaramente, e chegava, em muitos casos, à agressão física, ao homicídio, e
praticavam-se discriminações de toda sorte sem haver a quem apelar.
Paulatinamente, o Estado, que se confundia com a autoritária igreja oficial, e atrelava o
destino do cidadão aos ditames do romanismo, foi sendo pressionado pelos que faziam jus
ao nome de protestantes, no sentido do respeito à opção religiosa ou filosófica das
pessoas. Para isso, contribuíram significativamente os estrangeiros aqui radicados ou
apenas domiciliados, diplomatas e outras importantes figuras de confissão protestante,
missionários europeus e norte-americanos, e pastores brasileiros, que por sua
resistência sofreram tremendamente, pela sua coragem pagaram muitas vezes com a prisão e
com o derramamento do próprio sangue.
Os novos tempos - com as conquistas democráticas, a imposição do respeito à cidadania
- afrouxam as sufocantes mãos do clero; porém, como se sabe, perduram resquícios do
escuro tempo em que as minorias eram alvo de todos os tipos de discriminação. Embora
hoje inexista, constitucionalmente, uma igreja oficial, quase sempre apenas a católica é
chamada a representar-se em solenidades oficiais. Os evangélicos, portanto, continuam a
ser tratados como cidadãos de segunda classe.
Mas a maior ofensa aos que conhecem e obedecem a Palavra de Deus é a "adoção"
de uma "padroeira do Brasil" Isto porque são conscientes de que "Bem
aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor" (Sl. 33.12), e determinados no
resistir à maldição reservada aos que optam por servir aos cegos, surdos e mudos
ídolos (Sl. 115.2-7) usurpadores da glória devida apenas ao Todo-Poderoso.
Não bastasse isso, agora, finalmente quando o povo evangélico consegue se fazer
representar nas mais altas esferas do cenário político nacional, com a eleição de
vereadores, deputados e governadores e, com a real possibilidade de se colocar no poder um
servo do Senhor, as perseguições votam à tona.
Não há, de modo algum, misturas entre religião e política. Há, isso sim, o que os
não-evangélicos não parecem entender: o amor a Deus deve estar acima de todas as
coisas. Aonde quer que um servo de Deus vá e o que ele quer que faça, o nome de Deus
sempre deve estar em primeiro lugar, não importando que ele seja um mendigo, um
trabalhador, um governador, ou um Presidente da República. Para Deus todos são iguais:
simplesmente servos.
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