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ANO I Nº 9 - JANEIRO DE 2001

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A política da fé

Myron Pires é membro da Igreja Presbiteriana de Brasília

Um artigo, originalmente publicado em 24 de julho de 2000 no Washington Post, fala sobre uma das facetas do novo presidente eleito dos Estados Unidos da América, o republicano George W. Bush. O artigo, intitulado ‘aplicando a fé pessoal nas políticas públicas’, descreve o desenvolvimento espiritual de Bush.
Bush, que está para deixar o cargo de governador do Texas, conseguiu derrotar seu adversário democrata, Al Gore, por uma margem mínima de votos e após uma longa e contraditória batalha nos tribunais. Muito do que se tem escrito sobre ele se deve ao fato de ser uma personalidade ainda pouco conhecida no cenário nacional dos EEUU. O Washington Post publicou uma série de artigos (esse é o 2º da série) que valem a pena ser lidos.
Existe também uma série sobre o democrata Al Gore. Sei que Gore é um cristão muito firme e comprometido - foi um dos líderes nos grupos de oração do Senado americano e é um entusiasta dos movimentos cristãos voltados para os homens públicos dos EEUU.
O que chama a atenção é a ênfase dada às crenças pessoais de Bush. Ele teria passado por uma grande mudança em sua vida, que se manifestou a partir de 1985. O Rev. Billy Graham andou tendo umas conversas com ele a pedido de sua mãe, a Sra. Barbara Bush. As conversas parecem ter surtido efeito, pois George W., após um certo tempo, parou com o hábito da bebida e começou, sinceramente e com espontaneidade, a falar de Jesus e abrir um pouco de sua vida pessoal diante dos companheiros do grupo de estudos bíblicos que freqüentava em Midland-Texas. Os amigos que conviveram com ele nesse período, testemunharam as mudanças e todos têm certeza de que houve uma genuína transformação em sua vida.
George W. Bush foi também peça chave para garantir o apoio à eleição de seu pai, George Bush, à presidência dos EEUU. Ele atuou no sentido de garantir o apoio das lideranças evangélicas do país e teve um grande êxito nesse particular. Os assessores diziam estar aliviados por, finalmente, terem um interlocutor para quem não precisavam escrever um memorando de 20 páginas explicando o que é ‘nascer de novo’.
No Canadá houve também um verdadeiro ‘frisson’ acerca de outra candidatura, nesse caso para primeiro-ministro. Stockwell Day, candidato da Aliança Canadense, de linha conservadora, esteve muito bem nas pesquisas de intenção de voto mas acabou derrotado por Jean Chretien, do partido Liberal. Day se confessa um cristão ‘nascido de novo’, tem curso de teologia e já atuou como pastor e líder evangélico. Durante a campanha eleitoral canadense, os liberais insinuaram que Day poderia tentar impor seus valores religiosos sobre a população, ao que ele respondia com o argumento de que seu oponente, que se declara católico, nunca foi questionado sobre isso.
Aqui, o Senador Pedro Simon (PMDB/RS) fez uma peregrinação à pé, juntamente com outros devotos franciscanos. Pessoas comuns que buscavam experimentar, mesmo que por um tempo limitado, a sensação de estarem na dependência total da provisão divina para o seu dia-a-dia. A revista VEJA (edicão de 31/07/2000) registrou o episódio.
Os exemplos acima mostram que, nos dias em que vivemos, inaugura-se uma virada radical no modo como as pessoas passam a perceber suas lideranças. Não adianta mais ter o discurso liberal, do tipo ‘vamos agradar a todo mundo’. Há uma disposição crescente em se aceitar o discurso baseado em princípios, um sentimento de que o homem público tem que ter crenças básicas, vistas como aceitáveis pelos eleitores, para poder administrar bem um país.
Com que critérios julgamos os nossos candidatos a cargos públicos? Quais suas crenças básicas? Qual sua história de vida? - São perguntas que valem a pena o trabalho de se tentar respondê-las.

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