A política da
fé
Myron Pires é membro da Igreja Presbiteriana de Brasília
Um artigo, originalmente publicado em 24 de julho de 2000 no Washington Post, fala sobre
uma das facetas do novo presidente eleito dos Estados Unidos da América, o republicano
George W. Bush. O artigo, intitulado aplicando a fé pessoal nas políticas
públicas, descreve o desenvolvimento espiritual de Bush.
Bush, que está para deixar o cargo de governador do Texas, conseguiu derrotar seu
adversário democrata, Al Gore, por uma margem mínima de votos e após uma longa e
contraditória batalha nos tribunais. Muito do que se tem escrito sobre ele se deve ao
fato de ser uma personalidade ainda pouco conhecida no cenário nacional dos EEUU. O
Washington Post publicou uma série de artigos (esse é o 2º da série) que valem a pena
ser lidos.
Existe também uma série sobre o democrata Al Gore. Sei que Gore é um cristão muito
firme e comprometido - foi um dos líderes nos grupos de oração do Senado americano e é
um entusiasta dos movimentos cristãos voltados para os homens públicos dos EEUU.
O que chama a atenção é a ênfase dada às crenças pessoais de Bush. Ele teria passado
por uma grande mudança em sua vida, que se manifestou a partir de 1985. O Rev. Billy
Graham andou tendo umas conversas com ele a pedido de sua mãe, a Sra. Barbara Bush. As
conversas parecem ter surtido efeito, pois George W., após um certo tempo, parou com o
hábito da bebida e começou, sinceramente e com espontaneidade, a falar de Jesus e abrir
um pouco de sua vida pessoal diante dos companheiros do grupo de estudos bíblicos que
freqüentava em Midland-Texas. Os amigos que conviveram com ele nesse período,
testemunharam as mudanças e todos têm certeza de que houve uma genuína transformação
em sua vida.
George W. Bush foi também peça chave para garantir o apoio à eleição de seu pai,
George Bush, à presidência dos EEUU. Ele atuou no sentido de garantir o apoio das
lideranças evangélicas do país e teve um grande êxito nesse particular. Os assessores
diziam estar aliviados por, finalmente, terem um interlocutor para quem não precisavam
escrever um memorando de 20 páginas explicando o que é nascer de novo.
No Canadá houve também um verdadeiro frisson acerca de outra candidatura,
nesse caso para primeiro-ministro. Stockwell Day, candidato da Aliança Canadense, de
linha conservadora, esteve muito bem nas pesquisas de intenção de voto mas acabou
derrotado por Jean Chretien, do partido Liberal. Day se confessa um cristão nascido
de novo, tem curso de teologia e já atuou como pastor e líder evangélico. Durante
a campanha eleitoral canadense, os liberais insinuaram que Day poderia tentar impor seus
valores religiosos sobre a população, ao que ele respondia com o argumento de que seu
oponente, que se declara católico, nunca foi questionado sobre isso.
Aqui, o Senador Pedro Simon (PMDB/RS) fez uma peregrinação à pé, juntamente com outros
devotos franciscanos. Pessoas comuns que buscavam experimentar, mesmo que por um tempo
limitado, a sensação de estarem na dependência total da provisão divina para o seu
dia-a-dia. A revista VEJA (edicão de 31/07/2000) registrou o episódio.
Os exemplos acima mostram que, nos dias em que vivemos, inaugura-se uma virada radical no
modo como as pessoas passam a perceber suas lideranças. Não adianta mais ter o discurso
liberal, do tipo vamos agradar a todo mundo. Há uma disposição crescente em
se aceitar o discurso baseado em princípios, um sentimento de que o homem público tem
que ter crenças básicas, vistas como aceitáveis pelos eleitores, para poder administrar
bem um país.
Com que critérios julgamos os nossos candidatos a cargos públicos? Quais suas crenças
básicas? Qual sua história de vida? - São perguntas que valem a pena o trabalho de se
tentar respondê-las.
|