Sincretismo
Religioso
Atos 17.15-31 | Parte 1 (de 3)
Francisco Machado,
é presbítero em Governador Valadares - MG
Se fizermos uma investigação através da História, vamos verificar que, até o
surgimento do Cristianismo, o único povo que professava religião monoteísta era o povo
judeu. Ao mesmo tempo, vamos também constatar que isto só foi possível porque o
próprio Deus, o único Deus verdadeiro, Criador do mundo e do Universo escolheu, pela sua
própria vontade aquele povo, antes mesmo dele existir, através do chamado a Abrão e
Sarai, que passaram a chamar-se, respectivamente, ABRAÃO e SARA, para deles formar uma
grande nação, que O servisse com exclusividade (Gn 17.1-5, 15).
Esse povo, que foi chamado primeiramente HEBREU, e depois ISRAELITA e JUDEU, por causa de
uma divisão de tribos, conforme lemos em 1 Rs 12, é que testemunhou diante de uma
humanidade completamente corrompida e desviada do seu Criador, a existência de um só
Deus verdadeiro, UM DEUS VIVO, que agia clara e diretamente na vida daquele povo
escolhido, não só naquele tempo, mas em toda a sua existência. Isto é o que nos prova
a Palavra de Deus no Velho Testamento, que relata a história empolgante de um povo
laborioso e guerreiro na formação de uma nação, a mais civilizada da terra, por causa
da orientação recebida diretamente do Senhor dos Exércitos.
Todas as demais nações e povos que a história registra, tanto a História Universal
como a do Antigo Testamento, chamados de pagãos, praticavam religiões politeístas,
porque adoravam uma infinidade de deuses imaginários. Até as nações mais civilizadas
do tempo de Jesus, como a Grécia, Roma e Egito, praticavam o politeísmo, e com uma
agravante: essas religiões geralmente eram impostas pelos governantes; reis e
imperadores.
No tempo de Jesus, o povo judeu estava subjugado pelo Império Romano. Não tinha governo
próprio, era dirigido por mandatários de César e ansiava pela vinda do Messias
prometido nas Escrituras, para libertá-lo do jugo romano. Não por esta causa, mas pelos
planos de Deus, Jesus foi rejeitado pelo seu próprio povo, e ficou sozinho contra o
mundo, com a missão de anunciar a mensagem da salvação, vinda daquele que é o único
capaz de dá-la (Lc 4.17-19). Mas o povo judeu não o ajudou em nada, pelo contrário,
crucificou o enviado de Deus. A rejeição de Jesus pelos judeus teve as conseqüências
determinadas por Deus: a salvação foi estendida aos gentios (como eram chamados os povos
pagãos pela Igreja Primitiva).
O apóstolo Paulo, o primeiro e o maior evangelista de todos os tempos, foi um dos que
tiveram a incumbência de levar as boas novas de salvação aos gentios, por toda parte do
mundo. E no texto que lemos, vimos que em uma de suas viagens missionárias foi parar em
Atenas, capital da Grécia, e enquanto esperava pelos seus companheiros Timóteo e Silas,
não perdeu tempo. Foi para uma sinagoga e ali começou a conversar com os judeus e
religiosos. Não só nas sinagogas, mas também nas praças da cidade, todos os dias ele
procurava falar com as pessoas que encontrava (v. 17).
Embora tida como o berço da sabedoria, a capital da Grécia, o país mais civilizado da
época, estava dominada pela idolatria. E isto causou revolta no discípulo de Jesus,
adorador do único Deus verdadeiro (Rm 16.17) esta revolta lhe dava mais ânimo para falar
de Jesus com o povo, entre eles muitos sábios e filósofos que discutiam com ele nas
ruas. De repente, eles dominados pela curiosidade, levam Paulo para o Areópago, que pelo
visto deveria ser um templo dos deuses, pois lá se encontravam os altares de todas as
divindades da mitologia grega e, por via de dúvidas, tinha também um altar dedicado AO
DEUS DESCONHECIDO; e esta foi a deixa para que o apóstolo dos gentios anunciasse Jesus
como o Deus desconhecido deles, mas que foi apresentado como o único Deus verdadeiro,
pois nele vivemos, nos movemos e existimos (v. 28).
Continua na edição nº 10
A continuação estará na próxima
edição. Até lá e boa leitura!
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