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David Wilkerson
O Que Aconteceu Com o Arrependimento?

2ª parte

Primeiro, Paulo testificou aos Corintos, “Os sinais do meu apostolado foram manifestados entre vós, com toda a paciência, por sinais, prodígios e maravilhas.” (2 Co 12:12) Mas depois Paulo lhes diz diretamente, “Porque receio que, quando chegar, vos não ache como eu quereria...” (vs.20)

Qual era o temor de Paulo? Era simplesmente este: “que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e eu chore por muitos daqueles que dantes pecaram e não se arrependeram da imundícia, e prostituição, e desonestidade que cometeram.” (vs.21)

Este pastor compassivo amava os acomodados cristãos de Corinto. Contudo, sabia que eles haviam sido bem ensinados de que era incorreto viver um estilo de vida pecaminoso. E lhes disse: “Quando eu lhes visitar, vocês me verão abaixar o rosto como sinal de desgosto. Dos meus olhos fluirão lágrimas, e minha voz irá gritar de dor.

Se eu verificar que vocês continuam entregando-se às imundícias, à fornicação e à luxúria, ficarei totalmente desalentado - porque o evangelho não fez a obra nos seus corações. Vocês ainda não se arrependeram dos seus pecados. E clamarei em alta voz para que se arrependam!”

Estas palavras de Paulo me deixaram envergonhado!

Ao ler as palavras de Paulo, me vi examinando meu próprio ministério. E tenho que perguntar, “Será que tenho tomado um atalho no evangelho pregado por Jesus - o evangelho do arrependimento? Tenho eu passado a tesoura na minha Bíblia e retirado dela o alto preço de se seguir a Cristo? Tenho eu rebaixado seu padrão ao dizer às pessoas, ‘Somente creiam e sejam salvos’?”

Quando olho a Igreja hoje, me pergunto: Será que nós evangélicos insistimos na “tristeza divina” bíblica como sinal de verdadeiro arrependimento? Ou será que estamos levando uma falsa paz às multidões não arrependidas? Será que estamos erroneamente ensinando que tudo o que Deus requer delas é que digam, “Creio em Ti, Jesus”?

Será que abolimos o convencimento genuíno do pecado? Será que temos nos precipitado e oferecido salvação àqueles que na verdade não se arrependeram - que não se entristeceram com suas transgressões, que não enxergaram a excessiva pecaminosidade de suas faltas, que têm buscado a fé somente para esconder nela suas luxúrias?

Constantemente escutamos graves exageros acerca do número de pessoas que aceitam Jesus em vários ministérios. Cristãos relatam que um grande número de pessoas foram salvas enquanto pregavam em prisões, escolas. Eles dizem: “Todos entregaram o coração a Jesus. Quando terminei a pregação, todos vieram à frente para salvação.”

Não - isto é um trágico exagero! Com muita freqüência, o que realmente acontece é que todos simplesmente repetem uma oração. Eles meramente oram o que lhes é dito para orarem - e poucos entendem o que estão dizendo. Depois a maioria volta aos seus ímpios caminhos!

Tais pessoas nunca experimentam uma obra profunda do Espírito Santo. Como resultado, nunca se arrependem, nunca se entristecem com seus pecados - e nunca verdadeiramente crêem. Tragicamente, lhes oferecemos algo que Jesus nunca ofereceu - salvação sem arrependimento!

Eu creio que a igreja aboliu até o sentido de condenação. Pense nisto - raramente lágrimas são vistas no rosto daqueles que estão sendo salvos. É claro, eu sei que lágrimas não salvam ninguém. Mas Deus nos fez humanos, com sentimentos muito reais. E qualquer pecador cativo do inferno que tenha sido tocado pelo Espírito Santo, naturalmente sente profunda dor pela forma como entristeceu o Senhor.

O apóstolo Pedro sentiu este tipo de tristeza divina quando negou conhecer Jesus. De repente, ele foi invadido pela recordação do que Jesus lhe havia dito: “...E Pedro lembrou-se da palavra que Jesus lhe tinha dito: Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me negarás tu. E retirando-se dali, chorou.” (Mc 14:72)

Assim que Pedro recordou essas palavras, ele foi tomado pela emoção. E de repente, saiu correndo por Jerusalém, chorando “Eu traí o Senhor!”

Amados, não podemos simplesmente criar este tipo de arrependimento, pela carne. Somente o Espírito Santo pode, como fez com Pedro, nos revelar como temos ferido nosso amado Salvador. E esta revelação deve nos encher de profunda tristeza!

Não concordo com todas as doutrinas dos escritores Puritanos, mas me encanta sua ênfase na santidade. Estes pregadores divinos diziam que seus sermões eram como “arar a terra em profundidade”. Acreditavam que não podiam semear verdadeiras sementes de fé, antes do solo do coração de seus ouvintes ter sido profundamente arado.

Continua na próxima edição


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