A bactéria que provoca feridas negras como o
carvão (daí o nome "anthracis", que significa carvão em grego), é uma das
doenças de animais mais antigas já registradas. Sua aparição na história é relatada
na Bíblia, onde a doença aparece como a sexta praga do Egito. Em Êxodo 9.8, Deus
instrui Moisés a tomar "mãos cheias de cinza de forno" e a espalhar o pó,
provocando "nos homens e nos animais tumores que se arrebentem em úlceras por toda a
terra do Egito". Uma das modalidades do contágio, por ingestão oral, gera úlceras
gástricas e úlceras cutânia, vem pela infectação da pele.
Em 1876 a bactéria foi isolada por Robert Koch (1843-1910), um grande bacteriologista
alemão - conhecido por descobrir a bactéria da tuberculose, o bactéria de Koch. Ele
demonstrou que a doença era causada por um microrganismo, trabalho inédito que inaugurou
uma nova ciência, a microbiologia.
Outro cientista famoso, o francês Louis Pasteur (1825-1895), foi mais além. Em 1881, ele
desenvolveu a primeira vacina bacteriana contra o B. anthracis. Pasteur se impressionou
com a capacidade de resistência da bactéria, que podia sobreviver por décadas no solo,
na forma de esporos, e voltar a infectar animais. Já houve caso de uma epidemia em
carneiros em que o campo ficou fechado por 60 anos. Depois voltaram a criar animais ali, e
todos morreram.
Fonte: Folha de São Paulo
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