Martinho Lutero (1483-1546) encontrou nas epístolas de Paulo
uma frase que lhe pareceu fundamental: o justo se salvará pela fé. Concluiu pois que o
homem, corrompido só poderia salvar-se pela fé incondicional em Deus e não as obras
praticadas. Em 1517, eclodiu o incidente que provocaria o rompimento entre Lutero e a
Igreja Católica, girando em torno do episódio conhecido como venda de indulgências.
Tendo como o objetivo arrecadar fundos para financiar a reconstrução da Basílica de
São Pedro, o Papa Leão X permitiu que se concedem indulgências (perdão dos pecados) a
todos os fiéis que contribuíssem com a Igreja. Escandalizado com essa salvação
comprada a dinheiro, em 31 de outubro de 1517, Lutero afixou na porta da Igreja de
Wittenberg um manifesto público (as 95 teses), em que protestava contra a atitude do Papa
e expunha os elementos de sua doutrina. Iniciava-se, então, uma longa discussão entre
Lutero e as autoridades eclesiásticas, culminando com sua excomunhão pelo Papa, em 1520.
Demonstrando descaso e revolta diante da Igreja, Lutero queimou em praça pública a bula
Papal Exsurge dimine, que o condenava.
A reforma protestante representou um dos
movimentos históricos fundamentais que marcaram o início dos tempos modernos, sendo
motivada por um complexo conjunto de causas que ultrapassaram os limites da contestação
religiosa à Igreja Católica.
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