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  Entrevista | Joseph Danon

Judeu que evangeliza Judeu


Montagem sobre foto de Luiz Alberto
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O judeu Joseph Danon se utiliza das festas judaicas tais como o Shabat, o Pessach e a Festa dos Tabernáculos para evangelizar outros judeus. O fato do judeu ser fiel às tradições, possibilita evangelizá-los usando-se o velho testamento

Uma família judaica sentiu na pele perseguições em Granada, Espanha mas apesar disso não se intimidou, lutou para sobreviver e conseguiu atravessar o oceano atlântico e aportar na Bahia, Brasil, onde se estabeleceu. Desta família, nasceu Joseph Danon, garoto inteligente apaixonado pela leitura. Apesar de improvável, algo aconteceu: Joseph encontrou a Cristo. Junto com um amigo idealizaram uma gravadora que logo depois veio a ser a LineRecords da Igreja Universal. Usando técnicas exóticas, ele e seu companheiro, o jovem pastor José Adevan da Silva, visitam igrejas sensibilizando-as a se empenharem na difícil mas fértil evangelização dos judeus. Ele esteve no Seminário Betel Brasileiro que funciona da Igreja Presbiteriana Central da Vila Santa Cecília em Volta Redonda, falando aos alunos.


Gostaria que nos relatasse seu processo de conversão ao evangelho

Primeiro foi por amor à minha esposa. Nós nos separamos e então ela começou a frequentar uma igreja evangélica. De repente Deus começou a interferir em nossa separação e então reatamos nosso casamento. Fui uma vez à igreja mas não aceitei a Jesus e ela acabou se afastando. Dois anos depois ela teve um problema de saúde e teve de se submeter a uma cirurgia e quase morreu, foi necessário fazer uma transfusão de sangue. Em função disso contraiu uma hepatite C crônica, mas certo dia, saindo de um laboratório, ela acreditava que com a transfusão fosse curada mas não foi. Então ela novamente me convidou para entrar em uma igreja evangélica logo em frente, onde passamos a frequentar. Um dia, um certo pastor muito novo, de mais ou menos 23 anos, subiu ao púlpito e pensei: "O que este garoto tem para falar para mim?" E aí o Espírito Santo, falou através dele coisas que estavam em meu coração que ninguém sabia. Curioso, pensei: "Será que é Deus mesmo falando para mim?" A curiosidade me fez pensar profundamente e em certo momento, Ele falou diretamente comigo. Eu estava escrevendo um pedido de oração, antes de acabar, Deus me respondeu. Naquele momento eu me entreguei a Jesus.

A igreja passava por momentos difíceis relacionados à doutrina, comecei a passar por uma série de questionamentos em relação ao judaísmo e ao cristianismo. Eu sofria de uma hérnia de disco, acamado, imobilizado, orei a Deus e pedi que Ele me desse uma resposta, se deveria voltar ao meu mundo judeu ou permanecer no meio cristão. Será que Ele estava me fazendo passar por aquilo tudo, por eu ter abandonado minha herança judaica? Minha filha entrou no quarto e me viu chorando. Quando ela saiu, eu comecei a trocar os canais da TV, quando me deparei com um homem vestido de terno azul marinho com uma escrita judaica projetada na parede. Ele dizia: "...meus amigos, lemos Daniel 9.26 e aqui diz, que 70 anos após a vinda do Messias, o templo seria destruído. E a história mostra que no ano 70, o templo foi destruído. Meu amigo judeu, não tenha dúvida que Jesus é o Messias".

Eu senti aquela palavra como uma resposta de Deus então escrevi para um pastor, missionário junto à comunidade judaica. Alguns dias depois ele me procurou e me disse que trabalhava em uma missão junto aos judeus há 38 anos e que no próximo ano se aposentaria e gostaria muito que houvesse uma igreja que evangelizasse judeus. Era a vontade de seu coração e orou a Deus em segredo para que ele enviasse uma família de judeus convertidos. Dois dias depois eu liguei para ele. Em função disso, meu testemunho se confunde com a história da fundação de nossa igreja - Igreja Evangélica Bert Lehem - que funciona em uma Sinagoga no Rio. Hoje tenho certeza absoluta que quando Deus me resgatou do judaísmo, realmente tinha um plano para mim, hoje vivo efetivamente em suas mãos.

Meus pais eram judeus de Constantinopla, Turquia, nossa família foi para lá logo após a expulsão de Granada em 1492, quando a rainha Elizabeth Castelo expulsou todos os judeus da ilha. Muitos dos judeus foram para a Turquia e Grécia. Naquela época, o rabino responsável pela comunidade judaica, registrado no livro judeu, era Ivis Danon. Minha família, então, aportou na Bahia, Brasil, onde eu nasci.

Quais as dificuldades em evangelizar judeus?

Diferentemente de outros povos, o judeu foi educado para rejeitar Jesus. Na concepção e tradição judaica, Jesus foi um profeta falsário que se apresentou como Deus. Por isso, o judeu é preparado para rejeitá-lo. A maior dificuldade é mostrar que Jesus é o próprio Deus, e fazê-los entenderem a trindade divina. Trabalhamos em cima do velho testamento, usando análise da raiz hebraica de algumas palavras, para explicá-los que Jesus, efetivamente, era o Messias prometido. Para romper essa barreira, devemos orar muito para que o Espírito Santo de Deus tire a venda de seus olhos e o tampão de seus ouvidos.

Israel está aceitando a Jesus Cristo? Há muito judeu convertido?

Bastante. Dou Glória a Deus por isso e espero que neste ano, o trabalho cresça mais. Meu filho, que já fora dirigente da igreja, pastor Sérgio Danon, foi convidado para ser missionário no "Jew for Jesus" (Judeu para Jesus) nos Estados Unidos, uma missão americana de judeus para judeus. O objetivo principal desta missão é levar Jesus para os judeus. O pastor Sérgio foi para os EUA para ser preparado e retornar à América do Sul para montar uma regional do "Jew for Jesus". É uma missão muito penosa, exige muita intrepidez, por meio dela, teremos condições de confrontar diretamente com os judeus e levá-los a Palavra. A forma como esta missão evangeliza é muito chocante. Um exemplo, é um folheto que eles produziram que tem o título: "Desculpe a sinceridade mas hoje eu quero falar a você sobre Moisés e sua mãe". A mãe judia é um ícone, então a tendência do judeu ao ler o título é abrir o folheto, curioso em saber o que irão falar da mãe. O folheto fala da importância da mãe em termos da tradição das profecias e o quanto nem ele e nem ela não enxergaram as referências proféticas sobre o messias no velho testamento e que a concretização disso foi Jesus.

Porque durante todos estes anos, o judeu manteve vivas suas tradições?

Porque ao contrário do que pensam, o papel da mulher foi fundamental para eles. O que a sociedade imagina é que o judaísmo é uma sociedade machista em que a mulher não tem vez, já que nas sinagogas, elas vivem separadas dos homens, alijadas. Mas a responsabilidade da mulher judia como mãe é ensinar toda cultura judaica e a tradição a seus filhos. Então, através da mãe, que contando a história e o sofrimento de seu povo, como ele foi arraigando essa vontade de lutar, perseverar e morrer em honra a Deus.

Qual a participação financeira dos judeus estrangeiros na criação do estado de Israel?

Israel foi recriado a pedra de toque. O estado de Israel foi formado com dinheiro de judeus estrangeiros que foram comprando terras, casas e aos poucos muitas famílias como Rotilde, Rockfeller e várias outras espalhadas pelo mundo, não só nos EUA e Europa, passaram a ser proprietários. Depois estas terras foram doadas para que fosse constituído, territorialmente, o Estado de Israel.

Apesar da criação do estado de Israel ter sido referendado pela ONU em 1948, presidido na época pelo brasileiro Oswaldo Cruz, Israel não foi um estado conquistado à força e nem politicamente. Primeiro foi dado por Deus e com muita sabedoria foi comprada aos poucos por compatriotas do estado. A importância das contribuições é essa. Mas a partir daí a intrepidez e humildade não no sentido da serviência, mas no sentido de dizer que quando alguém está desempenhando algum papel ou um cargo importante em uma empresa ou no governo, é que Deus o colocou lá, quando Deus o tira de lá, ele se destitui daquelas vaidades todas e isso nós encontramos no povo judeu. O primeiro ministro do estado de Israel morreu em um Kibuz. Morava em uma casa simples. Quando terminou seu mandato, doou sua casa para fazerem um museu e foi morar em um Kibuz. Esta postura fez com que o judeu trabalhasse não para ele mas para o Estado. Infelizmente eles não colocam este trabalhar para Deus completamente. Eu me considero um judeu que se completou ao encontrar Jesus. Era meio judeu, mas quando me converti, tornei-me um judeu completo. É importante o trabalho da conscientização da igreja em ganharem judeus para Jesus. É um trabalho duro.

(Interrompendo) Talvez tenham sucesso com essas técnicas ao se promover todo aquele ritual judaico na mesa, ajuda-o a se identificar com a mensagem...
Exatamente. O grande problema da aceitação é que o judeu não quer deixar de ser judeu, ele tem muito orgulho em ser judeu porque é o povo de Deus. Ele tem medo de que aceitando a Jesus, deixe de ser judeu. Quando ele entende que aceitando a Jesus como sendo verdadeiramente o Messias que Deus mandou, ele não deixa de ser judeu, aí as coisas se tornam mais fáceis pois a tradição judaica e a própria constituição do estado de Israel, determinou que judeu é todo aquele nascido de um útero judeu ou que tenha se convertido ao judaísmo, desde que não professe outra religião. Eu não professo outra religião mas simplesmente repito o que Jesus disse nas sinagogas judaicas.

Há conseqüências posteriores para quem abdica destes princípios?

Algumas comunidades judaicas "enterram, matam" este cidadão da "memória" quando eles aceitam a Jesus, a própria família faz seu enterro simbólico, ou seja, preparam o caixão, compram um túmulo, enterram o caixão vazio mas lá na lápide dizendo que fulano, no dia em que ele aceitou a Jesus, faleceu.

Algo parecido não aconteceu com sua família?

Graças a Deus não e vivo muito feliz porque minha mãe aos 94 anos de idade, aceitou a Jesus. No momento de minha conversão meus irmão me proibiram. Lógico que isso é perfeitamente compreensível, porque eles me viam como traidor. Precisamos entender este aspecto.Quando a pessoa não conhece nosso ponto de vista, imagina que nós estejamos traindo as tradições. Mas quando perceberam que houve mudanças em minha vida para melhor, que não deixei de ser judeu, pelo contrário, comecei a conhecer mais o judaísmo e a me aproximar mais da cultura, minha família reconheceu minha decisão.

E a eterna disputa entre Israel e Palestina?

Quem deu origem a esta disputa foi Abraão, ele não quis esperar pela promessa, incitado por sua própria mulher Sara, teve um filho, Ismael, com sua escrava Agar. Este não era o filho prometido de Deus. Ismael saiu de seu lar e constituiu a descendência palestina. Os palestinos hoje se referem a seu pai, Ibraim ou Abraão. É uma briga constante entre irmão por ciúme pois os palestinos brigam para serem os filhos da promessa, mas de fato não são. O porque eu não sei mas Deus sabe. E esta briga causa transtorno em todo o mundo. Até a título de brincadeira, alguns judeus, muito irreverentes, dizem: "Quem começou tudo isso foi Deus, porque Ele fez seu povo viver na única terra que não tinha petróleo. E a terra do petróleo ficou com os descendentes de Ismael".

Analistas políticos acreditam que um dos motivos dos ataques aos Estados Unidos foi a indignação do povo islâmico ao abandono das negociações de paz no oriente médio. Entre as negociações estariam a criação do estado palestino, irmãos dos muçulmanos. Os judeus têm esta concepção ou é alheio a esta influência que eles exercem no mundo?

O judeu não tem um conhecimento claro, porque sua visão da Bíblia, principalmente para o livro de Apocalipse, não se abriu. Mas mesmo que ele queira, se ele analisar com atenção os livros proféticos, tais como Daniel, já falavam também. Por mais que haja interferência do homem, tudo faz parte do plano de Deus. O que estamos vivenciando é a concretização de todas as profecias bíblicas. O plano de Deus e seu objetivo é que haja salvação para o mundo, fica até difícil a compreensão disso à luz humana. Se analisarmos pelos olhos humanos, veremos que se realmente chegasse a paz entre judeus e palestinos, acabaria a guerra. Mas será que acabaria? O que sabemos é que a única e verdadeira paz que acaba com todas as guerras, é a paz do Senhor, quando encontramos o messias, não a paz assinada em um tratado, não em uma aliança num papel.

E o anseio da paz obtida em um acordo diplomático assinado?

É profético que vai haver paz mas quando chegar a paz, é que o fim está chegando. Há de chegar um momento em que ocorrerá a paz e esta paz será feita através de uma pessoa. Ela conseguirá conciliar isso e será extremamente reconhecida no restande do mundo. Apocalipse diz "dois tempos mais um tempo", depois disso ele tomará para si essa realização. A paz será apresentada como sendo conquistada por ele. Então ele tirará sua máscara e verão quem é o anticristo. Esta paz ocorrendo, será uma antecipação dos tempos finais. Mas Deus não antecipa nada, isso ocorrerá no tempo de Deus, quando será isso não sei.

Fale sobre a fundação da LineRecords (gravadora da Igreja Universal), conte seu envolvimento com a gravadora, como surgiu a idéia e qual foi sua participação no processo?

Eu e o guitarrista Hélio Belmiro éramos muito amigos. Eu trabalhava como diretor de algumas empresas como consultor, quando ele me procurou e propôs montarmos uma sociedade. E aí veio a pergunta, você é músico e eu consultor, trabalho na área organizacional administrativa, que tipo de sociedade podemos formar? Uma gravadora, ele me respondeu. A idéia surgiu de uma conversa entre nós dois. Anos depois, o Bispo Renato Sueth, que dirigia a IURD do Rio de Janeiro, resolveu criar uma gravadora, e por questões éticas, ele me convidou para ser o diretor executivo da gravadora, em função dessa idéia já ter surgido antes e pelo fato dele ser muito meu amigo. Me convidaram para fundar a gravadora. Em minha concepção, deveríamos ter uma "gravadora para evangelizar" e não uma "gravadora evangélica". Meu objetivo era buscar almas e ovelhas, não engordá-las. Este objetivo foi de comum acordo e criamos a LineRecords que começou a vender para o mundo não evangélico. Começamos a trabalhar em áreas de venda, lançando discos em locais em que o não evangélico entra: supermercados, Lojas Americanas, lojas de departamentos, etc. Para isso, Deus, sem dúvida nenhuma, por vontade dEle, me facilitou o trabalho, pois não entendia nada de discos, e em um determinado momento, como fruto de oração, conseguimos em dois dias, contratar Cid Moreira, na época apresentador do Jornal Nacional da Rede Globo. Ele foi contratado pela LineRecords mas hoje não é mais contratado dela.

A idéia inicial da gravadora era um projeto independente, mas como não tínhamos dinheiro para isso. Na época, o Bispo Renato Sueth era dirigente nacional e cantor, por isso resolveu criar a gravadora e nos convidou. A LineRecords começou na Universal, seus proprietários eram Renato Sueth e sua esposa. Lembro-me de ter batido o contrato social em minha máquina de escrever. A Universal já tinha um estúdio, então começamos o trabalho, nessa época o órgão do meu corpo que mais trabalhou não foi a cabeça, mas sim o joelho. Eu não entendia absolutamente nada de discos, nem era muito ouvinte de música. Para mim, música era segundo plano.

Sempre li muito, mas música era complemento de minha leitura. Mas de repente Deus me colocou na direção de algo que não era nem meu hobby preferido, algo que eu nem conhecia. Contactei pessoas que tinham experiência na área da música. Estagiei em fábricas, conheci todo o mecanismo de fabricação de CD, quando ele estava iniciando. Conheci todos os pontos da fabricação, procurei fazer como Salomão. A única coisa que pedia a Deus era sabedoria para aprender a trabalhar com aquilo. Para a Glória de Deus, ele me ensinou.

Quais atividades seculares desempenha?

Tenho uma empresa de consultoria e assumi a Corretora de seguros, da qual meu filho era sócio. Ele foi consagrado pastor e chamado para ser missionário nos EUA no "Jew for Jesus" (Judeu por Jesus), abandonou tudo e foi para lá. A meta da "Jew for Jesus" é de abrir uma filial na América do Sul, no início de 2003, quando Sérgio Danon retorna ao Brasil para iniciar estes trabalhos.

Contatos
Igreja Ev. Bert Lehem
Rua dos Artistas, 205 - Vila Isabel
R. de Janeiro - RJ -Cep 20511-130

Joseph Danon
(21) 2208-5887 o 2246-0306
(21) 9349-4258

Pr. José Adevan Silva
(21) 9336-9606
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