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Tabernáculo | maio de 2002.. |
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Carta à nação
Mensagem dos Bispos e Bispa da Igreja Metodista à
Nação Brasileira por ocasião do conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio
"Nunca mais se ouvirá de violência em tua terra; de desolação ou de ruína nos teus
termos; mas aos teus muros chamarás Salvação e às tuas portas, Louvor." Isaías 60.18
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Deus criou os povos para constituir uma família universal. A reconciliação das nações
se torna especialmente urgente num tempo em que países desenvolvem armas nucleares,
químicas e biológicas, desviando recursos ponderáveis de fins construtivos e pondo em
risco a humanidade. (Credo Social da Igreja Metodista)
Vivemos tempos difíceis, nos quais as relações históricas se confundem nas questões
econômicas, políticas, religiosas, sociais. Em meio a isso, os valores fundamentais do
respeito à vida e do amor ao próximo são desconsiderados. Valores esses que se
constituem patrimônio universal do ser humano, presentes na maioria dos credos religiosos
do mundo. Como Igreja Metodista e comunidade cristã, entendemo-nos participantes e
herdeiros de toda a riqueza cultural, religiosa e étnica dos povos do Oriente Médio.
Dessa forma, sentimo-nos compelidos a nos pronunciar em relação ao triste e lamentável
conflito que envolve o povo israelense e palestino, em um ambiente de ódio e derramamento
de sangue inocente.
O livro do profeta Isaías testemunha uma história de invasões, domínio e cativeiro de
povos maiores sobre menores, e relata o sonho do dia em que, finalmente, Jerusalém se
tornasse o que seu nome significa: "Casa da Paz". Esse sonho de milênios ainda
parece longe de se consolidar. Entretanto, é preciso que o conflito palestino-israelense
chegue ao fim. Nenhum povo pode manter-se condignamente sendo ameaçado por bombas ou por
tanques; sem direito a uma terra onde lançar raízes e viver. Também não se pode usar a
esperança do mundo vindouro como arma geradora de suicídios e morte de inocentes. Não
podemos permitir que nossas crianças, depósito da esperança messiânica dos profetas,
sejam transformadas em escudos de guerra. Tampouco se tornem reprodutoras de uma cultura
de ódio e morte que não consegue ver no outro ser humano a possibilidade do diálogo.
Portanto, nem israelenses nem palestinos ganham com a manutenção dos ataques mútuos. No
mundo atual, de tantas dificuldades e separações, não podemos pensar como os antigos
conquistadores. A força de nossa nação ou povo não se consolida pelo volume de nosso
poderio bélico ou econômico.
Ao mesmo tempo, é preciso avaliar até que ponto os povos que se combatem, embora tenham
laços fraternais históricos e religiosos - não são todos filhos de Abraão?-, também
não estão sendo envolvidos em interesses alheios, que extrapolam seus motivos locais. E
ousamos ir além: é sabido que grande parte dos conflitos religiosos e étnicos
existentes hoje já perdeu sua motivação original e apenas serve aos interesses de
poderes econômicos internacionais.
O discurso e a prática que envolvem as guerras precisam ser examinados com olhos
críticos, em busca de outras soluções. Não se pode ver, de forma simplista, como
terrorismo um homem-bomba e como legítima defesa um tanque invadindo e derrubando casas e
locais do patrimônio da humanidade. O cerco a Belém e às pessoas que ali estão é,
para o mundo todo, um sinal de alerta e denúncia de que o conflito armado nunca superou,
nem superará o poder do perdão e do diálogo na solução de problemas.
Assim sendo, entendemos que a paz no Oriente Médio passa pela conscientização mundial
de algumas realidades: após o dia 11 de setembro de 2001, tomamos consciência, como
comunidade internacional, da questão religiosa e do poder que o uso da religião tem de
justificar a violência. Essa é uma postura que precisa ser revista com urgência, por
todos os segmentos envolvidos no conflito. Outra questão é a necessidade da retomada
urgente das negociações. Todos os setores da sociedade devem apelar à ONU para que
interfira no conflito, com uma postura clara e conciliadora, promotora da paz. E ainda, é
preciso que se promova a autodeterminação do povo palestino, que necessita hoje de um
Estado, como Israel necessitou em 1948.
Cremos que Deus nos chama à paz. E embora, nós, seres humanos, utilizemos suas palavras
de acordo com nosso interesse particular, para promover separação e contendas, temos de
reconhecer que esse pecado é nosso. Deus criou todas as pessoas à sua imagem e
semelhança, sem acepção de qualquer natureza, e as convida a viver pacificamente no
mundo.
Convidamos a todas as igrejas cristãs a que intercedam ao Príncipe da Paz em favor de
Israel e do povo palestino. É preciso a conciliação. E esta jamais será obtida
enquanto não se desarmarem as mãos e os corações.
Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil
Bispo João Alves de Oliveira Filho, presidente
Bispo João Carlos Lopes, vice-presidente
Bispo Josué Adam Lazier, Secretário
Bispo Adolfo Evaristo de Souza
Bispo Adriel de Souza Maia
Bispo Luiz Vergílio Batista da Rosa
Bispa Marisa de Freitas Ferreira Coutinho
Bispo Paulo Tarso de Oliveira Lockmann
Contribuição enviada pelo Pr. Adriano
da Igreja Metodista Central de Volta Redonda
site da Igreja Metodista: www.metodista.com.br
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