"Ensina a criança no caminho que deve andar, e ainda quando for velho não se
desviará dele". (PV 22:6)
Marcelo Mello

O inimigo traça caminhos às vezes difíceis de serem descobertos, mas que têm os
mesmos propósitos, sempre: matar, roubar e destruir. Uma de suas mais atuais e sujas
armas é a pornografia, um mal que vem assolando toda a humanidade e se multiplicando com
o auxílio das novas tecnologias da informação. Portanto, pais, mais do que nunca, é
necessário que instruam seus filhos para que saibam se defender desse mal.
A melhor forma de proteger seus filhos é, como afirmou o profeta de Deus, instruir a
criança no caminho em que deve andar. Somente o conhecimento da Palavra de Deus é capaz
de desenvolver na mente das crianças o sentido de dicotomia entre bem e mal. No ramo da
pornografia, a pedofilia, por exemplo, é um mal que a instrução correta pode apartar de
seu filho.
A pedofilia é um distúrbio de conduta sexual, onde o indivíduo adulto sente desejo
compulsivo, de caráter homossexual (quando envolve meninos) ou heterossexual (quando
envolve meninas), por crianças ou pré-adolescentes.
Este distúrbio ocorre na maioria dos casos em homens de personalidade tímida, que se
sentem impotentes e incapazes de obter satisfação sexual com mulheres adultas. Muitos
casos são de homens casados, insatisfeitos sexualmente. Geralmente, são portadores de
distúrbios emocionais que dificultam um relacionamento sexual saudável com suas esposas.
O portador de Pedofilia se sente seguro na ação sexual e no controle da situação
diante da criança. A maioria dos casos constatados envolvia homens, em média, 15 anos
mais velhos que sua vítima.
Em populações de baixa renda, a ocorrência, quase sempre, vem acompanhada do uso de
bebidas alcoólicas. Grande parte dos casos é de contatos incestuosos (envolvendo filhos
ou parentes próximos). Na maioria dos casos, a criança submetida a estes atos fica
calada, pois teme a represália do adulto. Em 100% dos casos, as crianças molestadas
sexualmente sofrem de dificuldades sexuais ou emocionais na vida adulta.
As denúncias de pedofilia no Brasil cresceram depois da prisão do médico Eugênio
Chipkevitch, mês passado. Dez queixas foram formalizadas contra ele. Chipkevitch gravava
cenas de abusos contra adolescentes no próprio consultório. Segundo a polícia, o
inquérito sobre o caso pode ser concluído este mês.
Escândalos religiosos
Pedofilia é um crime revoltante. E quando praticada por religiosos choca ainda mais. Nos
últimos meses, segundo as agências internacionais de notícias, denúncias de casos de
abusos sexuais que podem ter sido praticados por padres têm surgido em todo o mundo.
No Brasil, em Fortaleza, o frei Sebastião Luiz Tomaz está em prisão domiciliar desde o
dia 21 de fevereiro. Ele teria mantido relações sexuais durante dois anos com 21
adolescentes na cidade de Santana de Acaraú, no norte do estado. Em Sorocaba, interior de
São Paulo, o padre Alfieri Eduardo Bompani, de 57 anos, foi preso, acusado de abusar de
menores que estavam numa clínica de recuperação de viciados em drogas.
Em Mariana, no interior de Minas, mais um padre foi preso. O pai de um menino de dez anos
conta que o padre deu dinheiro ao garoto para convencê-lo a entrar num carro. Desde o dia
em que teria molestado o menino, o padre não voltou mais à comunidade.
Em 1995, o padre já havia sido condenado a treze anos e seis meses de prisão por ter
molestado dois meninos, um de nove e outro de onze anos, na cidade vizinha de Santa
Bárbara. Dois anos da pena foram cumpridos na casa do arcebispo de Mariana, Dom Luciano
Mendes de Almeida. Em 1999, o padre ganhou liberdade condicional e continuou a rezar
missas na região.
Denúncias nos EUA
Nos Estados Unidos, a Igreja Católica também tem sido abalada por incontáveis casos de
pedofilia. Várias arquidioceses não sabem de onde tirar centenas de milhares de dólares
para pagar indenizações às vítimas de abusos cometidos por padres.
São vários padres em cidades diferentes, enfrentando a mesma acusação: abuso sexual de
menores, denúncias que já responsabilizam até o Vaticano e o papa João Paulo Segundo.
O americano Rick Gomez entrou com um processo na Justiça da Flórida acusando a
autoridade máxima da Igreja Católica de ter abafado os casos para proteger os padres.
Rick Gomez diz que foi molestado por um padre quando era criança. A mãe dele contou tudo
para a polícia. Mas o padre foi transferido para uma igreja de Nova Jersey, só para
escapar do processo. O número de denúncias aumenta todo dia.
Em Cleveland, um padre se suicidou. Ele também tinha sido acusado de abusar de uma
criança. Em Nova Iorque, a maior comunidade católica dos Estados Unidos, a arquidiocese
afastou seis padres e entregou à Justiça uma lista com os nomes de todos os sacerdotes
acusados de abuso sexual nos últimos quarenta anos.
A pedofilia no mundo
O I Congresso Mundial contra a exploração sexual de crianças, realizado em Estocolmo,
em agosto de 1996, estabeleceu um plano de ação coordenador entre os diferentes Estados
e os serviços policiais internacionais. As questões de fundo sobre o significado e as
causas da pedofilia, contudo, permaneceram em aberto. O abuso sexual de crianças pode
acontecer dentro do quadro familiar (incesto), no âmbito comunitário (pederastia) ou
nível internacional (prostituição infantil).
O Congresso de Estocolmo chamou a atenção para os 2 milhões de crianças exploradas
sexualmente em todo o mundo e para as novas formas sofisticadas desta indústria criminosa
contra a humanidade que movimenta, anualmente, US$ 1 milhão. A Ásia é o continente mais
atingido, com cerca de 1,5 milhão de crianças prostituídas. Os tentáculos desta rede
internacional estendem-se desde o Brasil, com 500 mil crianças prostituídas, até os
Estados Unidos, com 300 mil.
Na maior parte dos países do Leste da Europa, não há qualquer legislação contra a
prostituição infantil. Em Bucareste, há cerca de 2 mil crianças na rua, que se vendem
por um dólar ou por 3 hambúrgueres. A Alemanha é o país com maior número de turistas
sexuais e de maior demanda de material pornográfico. Os pedófilos de todo o mundo
comunicam-se entre si através de imagens e mensagens, servidas por meio de técnicas
sofisticadas, como a Internet. O ato perverso destas pessoas deixa cicatrizes profundas na
alma da criança, sob a forma de culpa e de angústia. (MM)
Escolhendo amigos
Os jovens devem ter cuidado na escolha de amigos. A Bíblia diz em 2 Timóteo 2:22
"Foge também das paixões da mocidade, e segue a justiça, a fé, o amor, a paz com
os que, de coração puro, invocam o Senhor".
A pornografia é terrivelmente errada, já que desvirtua as pessoas e as destrói. O pior
de tudo é a pornografia infantil, pois destrói o corpo e a alma das crianças, que ainda
não encontraram, verdadeiramente, sua identidade e sexualidade. Por essas razões, todo
cristão, que se compromete, deve resistir e confrontar todas as expressões de
pornografia e produções de material pornográfico, destinado ao público ou para uso
privado. A educação cristã deve usar sua influência sobre as mentes, principalmente
das crianças, tanto nas salas de aula como nas residências, para afirmar sua posição.
Pornografia on-line
A pornografia on-line tornou-se uma das áreas mais lucrativas do comércio eletrônico
(e-commerce). Estima-se que a receita chegue a bilhões de dólares. O número de pessoas
que visitam sites de sexo tem sido estimado em 60 milhões, por dia. Juntos, os cinco
maiores sites de sexo têm mais visitantes que canais de notícias como NBC.com e CNN.com,
combinados. Todos esses sites estão disponíveis aos filhos, a cada minuto da vida deles.
E eles são fáceis de achar, em apenas alguns segundos.
A pornografia na Internet é tão extensa que é correto dizer que ela está aí para
ficar; e é provável que nunca seja impedida. A cada dia, cerca de 400 novos sites
pornográficos são abertos.
Nos Estados Unidos, estima-se que 10 milhões de crianças fiquem "on-line"
todos os dias. Muitos são ávidos para fazer "amigos eletrônicos" com quem
possam bater-papo. Em recente estudo com cerca de 1,5 mil crianças, entre 10 e 17 anos,
descobriu-se que uma em cada quatro foi exposta, indesejavelmente, a algum tipo de imagem
de pessoas nuas ou realizando atos sexuais. Uma em 33 recebeu uma solicitação agressiva,
significando que alguma pessoa na Internet as pediu para encontrar ou telefonar, ou as
mandava correspondência, dinheiro ou presentes.
A Internet faz com que as imagens pornográficas sejam mais facilmente acessíveis e,
virtualmente, com variedade ilimitada. Se a exposição intensifica a tolerância, e a
tolerância piora o problema, ter imagens pornográficas ilimitadas é como produzir
efeitos sociais que ainda não leva-se em conta. (MM)
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