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Tabernáculo | setembro de 2002.. |
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Editorial
Por que a polêmica sobre a Alca?
Desde sua primeira edição, TABERNÁCULO tem se posicionado firmemente a respeito de
assuntos de interesse do cristão e do cidadão. Não poderíamos deixar de nos manifestar a
respeito de um assunto que tem mobilizado milhões de pessoas em toda a América Latina.
Durante a semana passada, igrejas de diversas denominações, assim como outras entidades que
representam diversos movimentos sociais, se engajaram no plebiscito sobre a Alca (Área de Livre
Comércio das Américas). A esmagadora maioria dessas entidades, assim como das pessoas que
participaram desse plebiscito, se manifestou contra a adesão do Brasil à Alca. Mas o que é
Alca, e por que se manifestam contra ela?
Em princípio, a Alca seria apenas mais um mercado comum, como o Mercosul, ou seja, uma espécie
de "clube" de países que concordam em retirar as barreiras alfandegárias (impostos
pagos sobre a importação de mercadorias) para produtos provenientes dos países que fazem parte
do acordo. Na prática, seria uma união do Mercosul (o mercado comum do Cone Sul, que reúne
Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) com o Nafta (mercado comum norte-americano, que reúne
México, Canadá e Estados Unidos).
Em princípio, mercados comuns trazem efeitos positivos como a Comunidade Econômica Européia,
que se tornou a única força capaz de se opor, no cenário mundial, ao poderios econômicos.
No entanto, é preciso no mínimo cuidado com a Alca por causa do próprio poderio econômico
americano, comparado ao dos demais membros do "clube". Numa área de livre comércio,
com diversas regras que reduzem a capacidade dos governos de defenderem suas empresas, é preciso
que haja equilíbrio entre os tamanhos das economias envolvidas.
Abrir mão dessas salvaguardas seria mais ou menos como permitir que um lutador de box peso-pesado
lutasse contra um peso-pena. Como permitir que as gigantescas empresas americanas enfrentem as
brasileiras, sem proteção? Elas compram em real e faturam em dólar.
Outro motivo para temer a Alca é político. Como o poder econômico é capaz de determinar a
agenda política de um país ou região, a união entre as economias dos países da América
aumentaria ainda mais não só nossa dependência econômica, mas também nossa dependência
política dos americanos. Não é hora ainda (e talvez não seja nunca) de fazer uma aliança que
nos deixe tão vulneráveis.
O país não só deve defender sua soberania, como não pode abrir brecha para uma dominação
imperialista pela América, nem ter pesadelos ao saber que podemos nos tornar novamente uma
colônia. Com moderação, nossa posição é contra a assinatura do acordo da Alca e contra
quaisquer evidências de desequilíbrio econômico-político por parte das grandes potências. |
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