Luiz Alberto

Grupo sonha integrar projeto
americano para evangelizar a África
Em uma época em que o lazer anda em alta, a TV a cabo prolifera e a
internet é uma nova sociedade virtual, cinco jovens estão virando o rosto para tudo isso: querem
fazer missões na África. Davison Nogueira Costa, Ana Luíza Balarim, Lígia da Silva Cunha,
Leonardo Santana Moreira e Adriana Eugênia de Souza estão se preparando, e se tudo der certo,
abraçarão o campo missionário. Suas idades variam entre 18 e 21 anos, mas a motivação do
grupo é grande. Eles são membros da Igreja Batista Missionária, pastoreada por Carlos Alberto
Simeão.
Tudo começou com uma viagem de 11 pessoas, em julho de 2002, para o Chile. Eles tiveram contato
direto com a carência espiritual daquele povo e voltaram impactados. Davison, Luíza e Ana
sentiram o chamado de Deus para a obra. Outro contato também com a equipe do "Projeto
Radical África", da Igreja Batista, acelerou as decisões do grupo.
O "Radical África" é um projeto realizado pela Igreja Batista em parceria com a
International Mission Board (antiga Junta de Richmond, EUA) que está tendo dificuldades em enviar
missinários americanos aos países árabes e muçulmanos da janela 10/40. Eles viram nos
brasileiros a possibilidade de usá-los para fazer missões naqueles países. Para eles, o
brasileiro é um povo alegre e extrovertido com acesso fácil em qualquer lugar do mundo e que se
adapta fácil a qualquer cultura.
Segundo a JMM (Junta de Missões Mundiais), a CBB (Convenção Batista Brasileira) enviará 150
missionários à África para evangelizarem 100 povos em 10 países do noroeste africano. A JMM
está selecionando jovens de no mínimo 18 anos, com 2º grau completo. Eles se preparam por
correspondência, depois estudarão durante nove meses na CCM (Centro de Capacitação
Missionária), no Rio. Também farão estágio em países da América Latina e, se aprovados,
seguirão para a África onde ficarão de 2005 a 2007. Em março acontece a primeira entrevista
decisiva, quando será feita a primeira seleção dos candidatos. Ao todo são 2 anos e meio de
preparo mais 2 anos e meio no campo.
Ana Luíza confessa que seu coração já está na África. "Estou aqui, mas já estou lá.
Mesmo que eu fique no meio do caminho, eu já fui. Já entreguei tudo ao Senhor, abdiquei de
minhas vaidades e estou aguardando o que Deus vai realizar", declarou. Enquanto a hora não
chega, Ana participa das atividades da igreja e tem mantido contato freqüente com a equipe do
Radical.
Se muitos nesta hora agem por emoção, a intenção dos jovens parece ser séria.
Ana disse que tem trocado idéias com missionários africanos e até aprendeu que no noroeste
africano, onde há muitos muçulmanos, o segredo é ver e ouvir para depois falar. "Agir por
impulso pode ser arriscado em um meio espiritualmente hostil", revela, garantindo que nunca
se esquecerá do conselho.
Davison disse que trocou a faculdade pelas missões, mas não se arrepende. "Pessoas nos
chamam de loucos por estarmos indo a um lugar onde nem sabemos se teremos uma cama ou uma casa,
mas estamos dispostos mesmo sabendo que encontraremos dificuldades físicas e espirituais.
Queremos realizar nossos anseios", disse.
A família nem sempre aceita fácil, entretanto, a maioria dos jovens tem seu respaldo. Os pais de
Davison, por exemplo, o apoiaram desde o começo, mas sentem-se compungidos ao imaginar seu filho
longe de casa em uma terra estranha.
Endereço:
Batista Missionária - Estrada Sta. Cecília do Ingá, 140 |
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