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Jornal divulgador da Igreja de Jesus Cristo no Sul do Estado do Rio de Janeiro

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Cida Diogo

ENTREVISTA | Cida Diogo deputada Federal

‘Mesmo contra o aborto, defendo discussão de forma séria’
Celso de Carvalho

Adeputada estadual Cida Diogo (PT) pediu direito de resposta com relação à nota publicada na edição de maio do jornal Tabernáculo (Página 3), uma reprodução de matéria publicada pela Câmara dos Deputados e Agência Brasil de Notícias - órgão vinculado ao governo federal - que noticiava a rejeição, pela Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) do Congresso Nacional da qual a deputada faz parte, do projeto de lei PL 1135/91 que tenta discriminalizar o aborto. Apesar de discordar da legitimidade do pedido, já que o jornal reproduziu um fato jornalístico, a direção do jornal entende que vivemos num estado democrático e, portanto, todos têm o direito de expressar sua opinião. Nesta entrevista a deputada, que é médica, professora e candidata a prefeitura de Volta Redonda, negou que seja a favor do aborto, contrariando o que vem sendo publicado na mídia.
Tabernáculo: A senhora é uma parlamentar atuante e forte representante na região, incluindo o setor cristão. Em entrevistas recentes a senhora se mostrou favorável a projetos como a lei da homofobia e a lei do aborto. Qual é a sua postura dentro destes assuntos já que os mesmos confrontam com a crença dos evangélicos?

Cida Diogo: Essa afirmação não é verdadeira. Sou contra o aborto e a favor da vida. Em relação à lei da homofobia, ela contém equívocos e exageros que eu defendo para que sejam retirados. Sou contra o preconceito, a discriminação e a violência que atingem os homossexuais, as mulheres, os negros. Acredito que toda comunidade cristã evangélica também é contra essa injustiça. Hoje as estatísticas dos órgãos de segurança pública, mostram que a cada três dias um homossexual é assassinado, sem contar o números de registros em delegacias de polícia e em hospitais públicos de agressões físicas graves contra essas pessoas. Lutar contra o preconceito, a discriminação e a violência a que esse grupo está submetido não significa concordar com sua pratica, que é uma questão de foro intimo. No caso do aborto, as pessoas que conhecem o meu trabalho como secretária de saúde, vice-prefeita e deputada estadual, sabem que em nenhum momento me coloquei favorável. Sou a favor da vida. Mesmo sendo contra o aborto, defendi e defendo que esta discussão seja feita de forma séria, sem fechar os olhos para uma situação grave de saúde pública baseado no número de curetagens, de histerectomia (retirada do útero), de hemorragia graves, de septcemias (infecção generalizada) e morte de mulheres após o aborto, em sua maioria mulheres pobres e desinformadas. Não é possível que a única solução seja deixar essas mulheres morrerem e se sobreviverem colocá-las na cadeia. No debate que estava ocorrendo na Câmara Federal sobre a lei do aborto, houve uma decisão de se encerrar a discussão, mesmo havendo 19 deputados inscritos, foi quando vários deputados, uns contra o aborto (como eu) e outros a favor, se retiraram da reunião, por considerar isto um ato antidemocrático.
Qual sua postura com relação ao aborto como cidadã?

Cida Diogo: Como cidadã sou contra o aborto. Nunca fiz e hoje aos 50 anos de idade se engravidasse, teria meu filho “temporão”. O amaria tanto quanto amo meus dois filhos, por que ser mãe é a coisa que mais me realizou na vida. Como parlamentar também sou contra o aborto. Tenho posição idêntica ao do presidente Lula e do governador Sérgio Cabral, que reconhecem ser um grave problema de saúde pública, onde mulheres pobres estão morrendo, e famílias sendo destruídas, perdendo sua referência materna.
A senhora é a favor da mudança de sexo pelo Sistema Único de Saúde?

Cida Diogo: Este tipo de cirurgia não deve ser e não será realizada sem que haja indicação clínica por parte de profissionais extremamente qualificados. Existem pessoas, que, por exemplo, nascem com órgãos internos femininos, como útero, ovário e órgãos externos do sexo masculinos. Esta é uma questão estritamente médica.
O presidente Lula afirmou recentemente que se empenhará pessoalmente para a aprovação da chamada Lei da Homofobia. Como a senhora se comportará neste caso?

Cida Diogo: Considero que esse projeto de lei apresenta uma série de equívocos e exageros, principalmente aqueles relacionados com a liberdade de expressão. Pessoalmente encaminhei a senadora Fátima Cleide (PT) relatora do projeto no Senado a retirada desses artigos.Tenho articulado com o Ministro da Justiça,Tarso Genro, o veto presidencial a esses artigos caso seja aprovado no Senado,devendo se manter apenas o conteúdo do projeto que proteja essas pessoas de ações violentas e preconceituosas.
A senhora se mostrou favorável a realização da Parada Gay em Volta Redonda. A senhora não acredita que isto prejudicará a sua relação com os evangélicos?

Cida Diogo: A questão não pode ser colocada nestes termos. A defesa que faço é das liberdades democráticas que estão na Constituição. Todas as vezes que os segmentos organizados da sociedade desejam se manifestar dentro da lei e da ordem, como os: trabalhadores no movimento de paralisação pelos seus direitos; os católicos no grito dos excluídos; os evangélicos na Marcha para Jesus precisam ser respeitados. Como parlamentar nunca me coloquei de forma contrária. Sempre defendi todo tipo de manifestação que busque avançar a democracia em nosso país. Sou parlamentar e defendo a democracia.
A senhora é candidata a prefeitura de Volta Redonda. Como é seu relacionamento com os evangélicos e qual será seu relacionamento caso seja eleita?

Cida Diogo: Sempre respeitei muito a comunidade evangélica, sempre combati a forma preconceituosa com que algumas pessoas se referem aos evangélicos. Acho que muitas igrejas evangélicas desenvolvem trabalhos sociais belíssimos, que poderiam ser valorizados e potencializados através de parceria com o poder público. Desta forma, conseguiríamos atender um número muito maior de pessoas com projetos sociais, na perspectiva de melhoria da qualidade de vida da comunidade. Como prefeita, pretendo viabilizar convênios para repasse de recursos públicos com essa finalidade.
O livro base do cristianismo, a Bíblia Sagrada, diz:

"Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é"
Levítico 18:22


"Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão; o seu sangue será sobre eles"
Levítico 20:13

"Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
Romanos" 1:25 a 27

"Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas",
1 Coríntios 6:9.


Ao ministrar um sermão, um pastor ou um padre poderia utilizar um dos textos acima. A senhora não acredita que, caso a lei da homofobia seja aprovada, um homosexual poderia processar o pastor ou o padre por entender que sua opção sexual fora ofendida?

Cida Diogo: Não acredito que o projeto seja aprovado como está. Defendo e estou empenhada para que os exageros sejam retirados ou vetados e essa situação nunca ocorra. Minha luta é pela liberdade, contra todo tipo de preconceito, a violência e contra a injustiça. Minha luta é pela vida.

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